CRM-SP 207304 • RQE 101292 • 125156

RQE: 101292

Semaglutida e álcool: os agonistas de GLP-1 podem reduzir a vontade de beber?

Os agonistas de GLP-1 ficaram conhecidos principalmente pelo seu papel no tratamento da obesidade e do diabetes. Mas, conforme seu uso se tornou mais frequente, um relato começou a chamar a atenção: algumas pessoas percebiam menos vontade de consumir bebidas alcoólicas durante o tratamento. O que inicialmente parecia apenas uma observação da prática clínica começou a ser investigado — e estudos recentes sugerem que pode existir, de fato, um efeito dos agonistas de GLP-1 sobre o consumo de álcool. O que os estudos mostram? Em 2025, um ensaio clínico publicado no JAMA Psychiatry avaliou 48 adultos com transtorno por uso de álcool que receberam semaglutida injetável ou placebo durante nove semanas. Os resultados mostraram redução de alguns parâmetros relacionados ao consumo de álcool, incluindo a quantidade ingerida por ocasião de consumo e o desejo de beber. Um ponto importante, porém, é que a semaglutida não reduziu significativamente a frequência de dias em que as pessoas consumiam álcool. Era um estudo pequeno e de curta duração, mas trouxe um primeiro sinal clínico importante. Em 2026, resultados mais robustos foram publicados no The Lancet. Dessa vez, foram avaliadas 108 pessoas com transtorno por uso de álcool moderado a grave e obesidade durante 26 semanas. Todos receberam terapia cognitivo-comportamental e foram randomizados para semaglutida ou placebo. Ao final do estudo, os dias de consumo excessivo de álcool diminuíram nos dois grupos, mas a redução foi significativamente maior entre aqueles que receberam semaglutida: 41,1 pontos percentuais de redução em relação ao início do estudo, contra 26,4 pontos percentuais com placebo. Esse resultado fortaleceu a hipótese de que o efeito observado anteriormente poderia ter relevância clínica. Mais recentemente, outro ensaio clínico avaliou semaglutida oral em 50 pessoas que procuravam tratamento para transtorno por uso de álcool moderado a grave. Após oito semanas, o grupo que recebeu semaglutida apresentou redução dos dias de consumo excessivo, da quantidade ingerida nos dias em que bebia e de algumas medidas de desejo por álcool e consequências relacionadas ao seu consumo. Curiosamente, mais uma vez, o número total de dias em que as pessoas bebiam não apresentou redução significativa. Mas por que um medicamento para obesidade poderia interferir no álcool? O GLP-1 não atua apenas no trato gastrointestinal e nos mecanismos relacionados à fome e à saciedade. Seus receptores também estão presentes em regiões do sistema nervoso central envolvidas em motivação, recompensa e comportamento alimentar. Uma das hipóteses é que a ativação desses receptores possa modular circuitos relacionados à recompensa e, consequentemente, diminuir a motivação para consumir não apenas determinados alimentos, mas também substâncias como o álcool. Isso ajuda a explicar por que existe interesse crescente em estudar essa classe de medicamentos também no contexto dos comportamentos aditivos. Então semaglutida pode ser usada para tratar dependência de álcool? Ainda não. Os resultados são promissores, mas precisam ser interpretados com cautela. Estamos falando de estudos relativamente pequenos, com períodos de acompanhamento curtos e populações bastante específicas. No estudo do Lancet, por exemplo, todos os participantes tinham obesidade; no estudo com semaglutida oral, todos tinham sobrepeso ou obesidade. Além disso, ainda precisamos entender qual seria a dose ideal, por quanto tempo o possível benefício se mantém, quais pacientes poderiam responder melhor e o que acontece após a suspensão do medicamento. Também é importante lembrar que o transtorno por uso de álcool é uma condição complexa, cujo tratamento pode envolver acompanhamento médico, psicológico, intervenções comportamentais e medicamentos já estudados especificamente para essa finalidade. Um potencial interessante — mas ainda em investigação Os resultados dos últimos anos tornam cada vez mais difícil considerar a redução do consumo de álcool durante o uso de GLP-1 apenas como um relato curioso de pacientes. Existe um sinal clínico consistente e biologicamente plausível, e os estudos estão ficando maiores e mais robustos. Isso não significa, porém, que a semaglutida deva ser prescrita com o objetivo de tratar o transtorno por uso de álcool neste momento. Por enquanto, talvez a conclusão mais interessante seja outra: ainda estamos descobrindo a extensão dos efeitos dos agonistas de GLP-1 sobre os mecanismos de fome, recompensa, desejo e comportamento. E provavelmente ainda há muito a aprender. Fonte:  Hendershot CS et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults With Alcohol Use Disorder: A Randomized Clinical Trial. JAMA Psychiatry. 2025;82(4):395-405. Klausen MK et al. Once-weekly semaglutide versus placebo in patients with alcohol use disorder and comorbid obesity: a randomised, double-blind, placebo-controlled trial. The Lancet. 2026;407:1687-1698. Schacht JP et al. Oral Semaglutide for Alcohol Use Disorder: A Randomized Clinical Trial. American Journal of Psychiatry. 2026;183(9):636-645. #saudemental #alcool #obesidade #glp1 #semaglutida #tratamentodaobesidade #nutrologia #saudemetabólica #nutróloga #vidasaudável #LiaBataglini #nutrologo #nutrologoemPiracicaba #nutrologoPiracicaba #nutrologoLaranjal #equilibrioesaude #consultanutrologica

Medicamentos para emagrecer podem afetar a saúde mental? O que dizem os estudos

O uso de medicamentos como a semaglutida tem crescido nos últimos anos, especialmente no tratamento da obesidade. Mas, junto aos benefícios já conhecidos, surgiu uma preocupação: esses medicamentos podem aumentar o risco de depressão, ansiedade ou pensamentos suicidas? A dúvida ganhou destaque após relatos de alterações de humor em pessoas que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, levando pesquisadores e órgãos reguladores a investigar sua segurança psiquiátrica. O que as pesquisas mais recentes mostram? Os resultados disponíveis até o momento são, em geral, tranquilizadores. Uma revisão sistemática publicada em 2026, que reuniu 43 estudos, não encontrou evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre o uso desses medicamentos e o comportamento suicida. Outra análise, envolvendo aproximadamente 59 mil participantes de ensaios clínicos, também não identificou aumento significativo de eventos relacionados ao suicídio entre usuários de agonistas de GLP-1 quando comparados ao placebo. Além disso, algumas pesquisas observaram possíveis associações com melhora de sintomas depressivos e ansiosos. Entretanto, esses benefícios ainda precisam ser confirmados por estudos especificamente desenhados para avaliar a saúde mental. Isso significa que não existem riscos? Não exatamente. Embora os resultados sejam favoráveis, ainda existem limitações importantes nas pesquisas, especialmente em relação aos pacientes com transtornos psiquiátricos prévios, que muitas vezes foram excluídos dos ensaios clínicos. Também precisamos lembrar que o tratamento da obesidade envolve muito mais do que a perda de peso. Mudanças na alimentação, na relação com o próprio corpo e nas expectativas sobre o emagrecimento podem influenciar o bem-estar emocional. Por isso, sintomas como tristeza persistente, ansiedade importante ou alterações significativas de comportamento merecem atenção, independentemente do medicamento utilizado. O acompanhamento individualizado continua sendo fundamental A principal mensagem é que os agonistas de GLP-1 não demonstraram, até o momento, um aumento consistente do risco de depressão ou comportamento suicida. Isso não significa, porém, que a avaliação da saúde mental deva ser deixada de lado. Antes de iniciar o tratamento, é importante conhecer o histórico clínico e emocional do paciente, avaliar possíveis vulnerabilidades e manter o acompanhamento ao longo do processo. Afinal, tratar a obesidade não é apenas reduzir números na balança. É promover saúde física e mental, respeitando as particularidades de cada pessoa. #saudemental #depressao #ansiedade #obesidade #glp1 #tratamentodaobesidade #nutrologia #saudemetabólica #nutróloga #vidasaudável #LiaBataglini #nutrologo #nutrologoemPiracicaba #nutrologoPiracicaba #nutrologoLaranjal #equilibrioesaude #consultanutrologica

Retatrutida: os novos dados mostram que o impacto vai muito além da perda de peso

A retatrutida já vinha chamando atenção pelos resultados expressivos de perda de peso. Agora, os primeiros dados de fase 3 publicados no New England Journal of Medicine ajudam a entender melhor o que essa nova medicação pode representar no tratamento da obesidade. E talvez o dado mais interessante não esteja apenas na balança. O que é a retatrutida? A retatrutida é uma medicação injetável semanal ainda em investigação que atua simultaneamente em três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. Essa combinação a diferencia das medicações que já utilizamos atualmente e vem sendo estudada tanto para perda de peso quanto para diferentes complicações associadas à obesidade. O que mostrou o novo estudo? O estudo TRIUMPH-1 acompanhou 2.339 adultos com obesidade, sem diabetes, durante 80 semanas. Na análise principal do estudo, a redução média do peso corporal foi de: 17,6% com 4 mg; 23,7% com 9 mg; 25% com 12 mg; comparada a 3,9% com placebo. São resultados expressivos. Mas olhar apenas para o peso seria contar apenas parte da história. Pressão, colesterol e triglicérides também melhoraram O tratamento também esteve associado à melhora de diversos fatores de risco cardiometabólico. Foram observadas reduções nos triglicérides, no colesterol não-HDL e na pressão arterial sistólica, além de redução importante da circunferência abdominal. Isso é particularmente relevante porque obesidade não é simplesmente excesso de peso. Ela está associada a maior risco de hipertensão, alterações do colesterol, diabetes, doença cardiovascular e diversas outras condições. Portanto, um tratamento efetivo precisa ser avaliado também pelo seu impacto sobre a saúde — e não apenas pelos quilos perdidos. Os benefícios foram além do metabolismo O estudo avaliou ainda grupos de participantes com osteoartrite de joelho e apneia obstrutiva do sono. Também nesses pacientes foram observadas melhoras importantes, com redução da dor relacionada à osteoartrite e da gravidade da apneia. Isso reforça um conceito que considero fundamental no tratamento da obesidade: perder peso não é o objetivo final. O objetivo é melhorar saúde, mobilidade, sono, capacidade funcional, qualidade de vida e reduzir o risco de doenças relacionadas à obesidade. E os efeitos colaterais? Como acontece com outras terapias baseadas em incretinas, os efeitos adversos mais frequentes foram gastrointestinais, principalmente náusea, diarreia, constipação e vômitos, e ocorreram com maior frequência nas doses mais altas. Por isso, resultados expressivos de eficácia nunca devem fazer com que a segurança e a individualização do tratamento sejam colocadas em segundo plano. A retatrutida já pode ser utilizada? Não. A retatrutida permanece em investigação clínica e ainda não é uma medicação aprovada para uso no tratamento da obesidade. Os resultados são muito promissores, mas ainda precisamos acompanhar novos estudos e, principalmente, dados de segurança e desfechos em longo prazo. O TRIUMPH-1, porém, reforça uma mudança que já está acontecendo na medicina: estamos deixando de avaliar o sucesso do tratamento da obesidade apenas pelo número da balança. Tratar obesidade é tratar saúde. E os próximos anos provavelmente vão ampliar ainda mais as possibilidades que temos para fazer isso. Referência: Jastreboff AM et al. Retatrutide, a Triple Hormone Receptor Agonist, for Treatment of Obesity. N Engl J Med. 2026. DOI: 10.1056/NEJMoa2604169. #retatrutida #glp1 #glucagon #gip #glp1reganhodepeso #emagrecimento #qualidadedevida #apneiadosono #tratamentodaobesidade #comomanteropesodepoisdeemagrecer #alimentaçaoparamanutençaodopesoperdido #LiaBataglini #nutrologo #nutrologoemPiracicaba #nutrologoPiracicaba #nutrologoLaranjal #equilibrioesaude #consultanutrologica

Tenho intolerância à lactose: preciso parar de consumir leite e derivados?

Receber o diagnóstico de intolerância à lactose costuma vir acompanhado de uma conclusão quase automática: “então não posso mais consumir leite e derivados”. Mas, na maioria dos casos, não é bem assim. Ter intolerância à lactose não significa necessariamente precisar excluir completamente a lactose da alimentação. Na verdade, o objetivo do tratamento deve ser encontrar quanto e quais alimentos cada pessoa consegue consumir sem apresentar sintomas, mantendo uma alimentação variada e nutricionalmente adequada. Primeiro: o que é intolerância à lactose? A lactose é o açúcar naturalmente presente no leite e em seus derivados. Para ser absorvida, ela precisa ser quebrada pela lactase, uma enzima produzida no intestino delgado. Quando a produção dessa enzima é reduzida, parte da lactose pode chegar ao intestino grosso sem ser digerida adequadamente. Ali, ela é fermentada pelas bactérias intestinais e pode provocar sintomas como distensão abdominal, gases, cólicas e diarreia. E aqui existe um detalhe importante: ter menor capacidade de absorver lactose não significa necessariamente apresentar sintomas toda vez que ela for consumida. Então, preciso cortar toda a lactose? Na maioria das vezes, não. A tolerância é bastante individual e depende não apenas da quantidade de lactase produzida, mas também da quantidade de lactose ingerida de uma vez, dos outros alimentos consumidos na mesma refeição e da própria sensibilidade intestinal. Muitas pessoas com intolerância conseguem consumir pequenas quantidades de lactose sem qualquer desconforto. Há estudos indicando que uma parcela significativa tolera cerca de 12 g de lactose — aproximadamente a quantidade presente em um copo de leite — sem sintomas ou apenas com sintomas leves. Isso, porém, não significa que essa quantidade seja adequada para todo mundo. Por isso, mais importante do que estabelecer uma proibição é descobrir a tolerância individual. Algumas estratégias podem ajudar Na prática, é possível testar diferentes formas de manter os laticínios na alimentação: consumir porções menores ao longo do dia, em vez de uma grande quantidade de uma vez; consumir os laticínios junto com outros alimentos; optar por produtos sem lactose quando necessário; experimentar iogurtes e queijos maturados, que costumam apresentar melhor tolerância; utilizar a enzima lactase antes de refeições que contenham lactose, quando houver indicação. Isso permite que a alimentação seja adaptada à rotina do paciente — e não que toda a rotina passe a ser determinada pela intolerância. E por que não simplesmente cortar todos os laticínios? Porque restrições desnecessárias também têm consequências. Leite e derivados são fontes importantes de proteínas e cálcio. Quando esses alimentos são retirados sem substituições adequadas, pode haver redução da ingestão de cálcio, nutriente especialmente importante para a saúde óssea. Além disso, uma dieta excessivamente restritiva pode dificultar situações simples do cotidiano: comer fora, viajar, participar de festas ou simplesmente compartilhar uma refeição com outras pessoas. Nem todo desconforto após consumir leite é intolerância à lactose Outro ponto importante: gases, distensão abdominal, cólicas e alterações intestinais podem ocorrer em diversas condições gastrointestinais. Por isso, retirar lactose por conta própria e perceber alguma melhora não necessariamente confirma o diagnóstico. Dependendo do caso, pode ser necessário investigar outras causas para os sintomas e utilizar exames, como o teste respiratório de hidrogênio, para avaliar a má absorção da lactose. O objetivo é tolerância, não proibição Se você tem intolerância à lactose, a pergunta não precisa ser apenas “o que eu não posso mais comer?”. Uma pergunta muito mais útil é: “Quanto de lactose eu tolero e como posso adaptar minha alimentação para continuar comendo bem e sem sintomas?” Com orientação adequada, muitas pessoas conseguem manter diferentes laticínios na rotina, utilizando produtos sem lactose ou lactase apenas quando necessário. Uma boa alimentação não precisa ser baseada em restrições maiores do que aquelas que o seu organismo realmente exige. #intoleranciaalactose #lactose #leiteederivados #intestinosaudavel #saudeintestinal #nutrologia #saudemetabólica #nutróloga #vidasaudável #LiaBataglini #nutrologo #nutrologoemPiracicaba #nutrologoPiracicaba #nutrologoLaranjal #equilibrioesaude #consultanutrologica

Apneia do sono e obesidade: emagrecer também pode fazer parte do tratamento?

Quando pensamos em apneia do sono, é comum lembrar de ronco, noites mal dormidas e do uso de CPAP. Mas existe outro ponto importante nessa história: a obesidade é um dos principais fatores de risco modificáveis para a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS). E, com medicamentos capazes de proporcionar perdas de peso mais expressivas, surgiu uma nova pergunta: tratar a obesidade pode também melhorar a apneia? A resposta, segundo estudos recentes, é sim — mas com algumas ressalvas importantes. Por que obesidade e apneia estão tão relacionadas? O excesso de tecido adiposo pode favorecer o estreitamento das vias aéreas superiores e também prejudicar a mecânica respiratória. Por isso, a perda de peso já faz parte das recomendações para pessoas com sobrepeso ou obesidade e SAOS. A novidade é que os tratamentos atuais para obesidade conseguem produzir reduções de peso que antes eram difíceis de alcançar apenas com mudanças de estilo de vida. E isso começou a se refletir também nos estudos sobre apneia. O que aconteceu com a tirzepatida? O estudo SURMOUNT-OSA avaliou adultos com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada a grave. Após 52 semanas, pacientes tratados com tirzepatida apresentaram redução importante do número de episódios de apneia e hipopneia durante o sono, além de perda de peso e melhora de outros parâmetros cardiometabólicos. Os resultados foram tão relevantes que, em 2024, a FDA aprovou a tirzepatida nos Estados Unidos para o tratamento da SAOS moderada a grave em adultos com obesidade, associada à alimentação com redução calórica e atividade física. Isso significa que a medicação substitui o CPAP? Não necessariamente — e esse é um ponto fundamental. A apneia do sono não depende exclusivamente do peso. Anatomia das vias aéreas, idade e outras características individuais também interferem no problema. Mesmo depois de uma perda de peso significativa, algumas pessoas continuam apresentando apneia e precisam manter o tratamento específico. Portanto, quem utiliza CPAP não deve suspendê-lo simplesmente porque perdeu peso ou iniciou uma medicação para obesidade. É necessária uma nova avaliação para verificar como ficou a doença. O que esses estudos realmente nos ensinam? Talvez a principal mensagem não seja que surgiu uma “caneta para tratar apneia”. É algo maior: tratar a obesidade adequadamente pode melhorar doenças que estão diretamente relacionadas a ela. Em uma pessoa com obesidade e apneia do sono, portanto, podemos precisar olhar para os dois lados do problema: tratar a obstrução respiratória e, ao mesmo tempo, tratar a obesidade que contribui para sua manutenção. E esse é mais um motivo para entendermos o tratamento da obesidade como algo que vai muito além da estética ou do número mostrado na balança. Perder peso pode ser apenas uma das consequências. Melhorar a saúde é o verdadeiro objetivo. #apneiaobstrutivadosono #obesidade #saudedosono #tratamentodaobesidade #nutrologia #saudemetabólica #nutróloga #vidasaudável #LiaBataglini #nutrologo #nutrologoemPiracicaba #nutrologoPiracicaba #nutrologoLaranjal #equilibrioesaude #consultanutrologica

Reposição de testosterona em homens: quando realmente é indicada?

A testosterona é um hormônio fundamental para a saúde masculina. Ela participa da função sexual, manutenção da massa muscular e óssea, produção de espermatozoides, distribuição de gordura e diversos outros processos do organismo. Com o passar dos anos, é natural que os níveis de testosterona sofram alguma redução. Mas isso não significa que todo homem que envelhece precise fazer reposição hormonal. A indicação de testosterona é mais específica: é preciso haver sintomas compatíveis com deficiência hormonal e níveis de testosterona persistentemente baixos, confirmados por exames adequadamente realizados. O consenso mais recente sobre o assunto no Brasil, publicado em 2026 por sociedades brasileiras de Endocrinologia, Urologia e Medicina Sexual, reforça justamente a importância de diferenciar o verdadeiro hipogonadismo de alterações hormonais funcionais ou do uso da testosterona com objetivos que não são indicados. Afinal, quando a reposição de testosterona é indicada? A reposição de testosterona pode ser indicada para homens com hipogonadismo, ou seja, uma deficiência de testosterona acompanhada de manifestações clínicas compatíveis. Entre os sintomas que podem levantar essa suspeita estão: redução da libido; diminuição das ereções espontâneas ou piora da função sexual; cansaço e redução de energia; perda de massa muscular; aumento de gordura corporal; redução da densidade mineral óssea; alterações de humor e bem-estar; infertilidade, dependendo da causa do hipogonadismo.   O problema é que muitos desses sintomas são inespecíficos e podem ocorrer por diversos outros motivos. Estresse, privação de sono, obesidade, sedentarismo, depressão, algumas doenças crônicas e determinados medicamentos, por exemplo, também podem causar sintomas semelhantes. Por isso, não é possível diagnosticar deficiência de testosterona apenas pelos sintomas. E o exame de testosterona? O diagnóstico deve combinar avaliação clínica e laboratorial. A recomendação brasileira é medir a testosterona total pela manhã, idealmente entre 7h e 10h, em jejum, e confirmar um resultado reduzido com uma segunda dosagem em condições semelhantes. O consenso brasileiro considera que valores de testosterona total abaixo de aproximadamente 264 ng/dL dão suporte ao diagnóstico de hipogonadismo, enquanto valores acima de 350 ng/dL geralmente afastam a condição. Na faixa intermediária, entre 264 e 350 ng/dL, a avaliação deve ser individualizada, podendo incluir SHBG, albumina e testosterona livre calculada. Por isso, aquele cenário de “fiz um exame e minha testosterona está baixa, então preciso repor” é muito mais complexo do que parece. Antes da reposição, é importante descobrir por que a testosterona está baixa O hipogonadismo pode acontecer por alterações diretamente nos testículos ou por problemas na regulação hormonal pelo hipotálamo e pela hipófise. Além disso, existe o chamado hipogonadismo funcional, bastante relacionado a condições como obesidade, diabetes, doenças crônicas, distúrbios do sono e alterações metabólicas. Nesses casos, a queda da testosterona pode ser parcialmente reversível quando a condição de base é tratada. Perda de peso, prática regular de exercícios, melhora do sono e tratamento das doenças associadas podem fazer parte do tratamento — e, em alguns homens, podem ser suficientes para recuperar os níveis hormonais sem necessidade de reposição. Por isso, a testosterona não deve ser encarada como um tratamento isolado para os efeitos metabólicos do excesso de peso. Quais formas de reposição de testosterona são utilizadas no Brasil? Quando existe indicação de tratamento, há diferentes formas de administração. > Injetável: As formulações intramusculares são amplamente utilizadas no Brasil. Existem preparações de diferentes durações de ação, e as formulações de longa duração podem proporcionar níveis hormonais mais estáveis e menor frequência de aplicações. > Gel transdérmico: A testosterona também pode ser utilizada na forma de gel aplicado sobre a pele. Uma das vantagens é a possibilidade de proporcionar níveis mais estáveis de testosterona, sem os picos e quedas que podem ocorrer com algumas formulações injetáveis. A escolha entre as opções deve considerar características do paciente, preferência, custo, disponibilidade, facilidade de uso, resposta clínica e efeitos adversos. O consenso brasileiro recomenda as formulações intramusculares e transdérmicas como opções respaldadas para o tratamento do hipogonadismo masculino. E os implantes de testosterona? Os implantes subcutâneos de testosterona são comercializados no mercado manipulado, mas não são recomendados pelas sociedades médicas brasileiras para o tratamento do hipogonadismo masculino, principalmente pela ausência de formulações aprovadas com farmacocinética consistente e pela limitação das evidências de segurança e eficácia. Da mesma forma, formulações orais de testosterona e géis manipulados não são consideradas opções recomendadas no consenso brasileiro. Quais são os riscos da reposição de testosterona? Testosterona é um hormônio e, como qualquer tratamento hormonal, não é isenta de efeitos adversos. Entre os possíveis efeitos estão: aumento do hematócrito e risco de eritrocitose; acne e aumento da oleosidade da pele; queda de cabelo em indivíduos predispostos; aumento ou aparecimento de ginecomastia; retenção de líquidos; piora de alguns distúrbios respiratórios do sono; redução do volume testicular; redução da produção de espermatozoides e infertilidade. Um dos pontos mais importantes é justamente a fertilidade. A testosterona aplicada de fora para dentro do organismo reduz a produção de LH e FSH e, consequentemente, pode diminuir significativamente a produção de espermatozoides. Por isso, homens que desejam ter filhos no curto prazo não devem iniciar reposição de testosterona sem uma avaliação específica.  Quando a testosterona não deve ser iniciada? Existem situações em que a reposição é contraindicada ou exige avaliação especializada e acompanhamento mais próximo. Entre elas estão: câncer de próstata conhecido ou suspeito; câncer de mama masculino; desejo de fertilidade no curto prazo; hematócrito elevado; apneia obstrutiva do sono grave não tratada; insuficiência cardíaca descompensada; infarto ou AVC nos últimos 6 meses.   Homens com histórico de tromboembolismo, sintomas urinários importantes ou histórico de câncer de próstata tratado também precisam de avaliação individualizada antes do tratamento. A reposição precisa ser acompanhada Iniciar testosterona não significa simplesmente “tomar o hormônio e repetir o exame daqui a um ano”. O acompanhamento deve avaliar tanto a resposta clínica quanto os exames laboratoriais. O consenso brasileiro recomenda monitorar os níveis de testosterona aos 3, 6 e 12 meses após o início do tratamento e, posteriormente, a cada 6 a 12 meses, com ajustes da dose para manter os níveis dentro da faixa fisiológica desejada. Hemograma/hematócrito e avaliação prostática também fazem parte

Perdeu peso com GLP-1? Como evitar o reganho de peso e manter os resultados

Os medicamentos para tratamento da obesidade, como a semaglutida e a tirzepatida, mudaram a forma como muitas pessoas conseguem tratar o excesso de peso. Ao reduzir o apetite e aumentar a saciedade, esses medicamentos podem facilitar a adesão a um plano alimentar e favorecer uma perda de peso significativa. Mas existe uma pergunta importante que nem sempre é feita no começo do tratamento: “E depois que eu perder peso, como vou conseguir manter?” Na verdade, essa pergunta deveria aparecer antes mesmo de o peso desejado ser alcançado. Isso porque a manutenção do peso não começa quando o emagrecimento termina. Ela começa durante o próprio processo de emagrecimento.   O que acontece quando o tratamento com GLP-1 é interrompido? O reganho de peso após a suspensão de medicamentos para obesidade é uma possibilidade conhecida e vem sendo estudado em diferentes pesquisas. Isso acontece porque a obesidade é uma condição crônica e não depende apenas de força de vontade. Fatores biológicos, hormonais, comportamentais, ambientais e sociais participam da regulação do peso corporal. Quando um medicamento que ajudava a controlar o apetite é retirado, algumas dessas características podem voltar a se manifestar. Por isso, o reganho de peso não deve ser interpretado automaticamente como uma falha do paciente. Além disso, nem todo mundo precisa ou deve suspender o medicamento. A duração do tratamento é individualizada e depende da resposta, dos benefícios, dos efeitos adversos, das características clínicas e dos objetivos de cada pessoa.   O ponto principal é outro: o tratamento da obesidade não deveria depender exclusivamente da medicação. O medicamento é uma ferramenta — não precisa carregar o tratamento inteiro Quando um paciente começa a utilizar um medicamento para emagrecimento, pode existir uma oportunidade importante. Com menos fome e maior saciedade, algumas mudanças que antes pareciam muito difíceis podem se tornar mais possíveis. É nesse momento que alimentação, exercício e comportamento alimentar precisam entrar de maneira estruturada. Não porque a pessoa precise “provar” que consegue emagrecer sem medicamento. Mas porque o objetivo do tratamento não é apenas fazer a balança baixar. É também melhorar a saúde e construir uma rotina que possa ser sustentada ao longo do tempo.   As recomendações atuais para tratamento da obesidade consideram as mudanças de estilo de vida — incluindo alimentação e atividade física — como componentes importantes do tratamento, inclusive quando a farmacoterapia é utilizada. A manutenção do peso começa durante o emagrecimento Um erro bastante comum é pensar: > primeiro eu emagreço; depois eu aprendo a manter. Na prática, é mais interessante fazer as duas coisas ao mesmo tempo.   Durante o processo de perda de peso, algumas estratégias podem ser introduzidas de maneira gradual e contínua. A proteína precisa fazer parte da estratégia Durante o emagrecimento, não queremos apenas perder peso. Queremos, sempre que possível, preservar massa muscular. Por isso, a ingestão adequada de proteína é importante, especialmente quando associada ao treinamento de força. Uma estratégia simples é observar a distribuição da proteína ao longo do dia, incluindo fontes proteicas nas principais refeições e, quando necessário, nos lanches. Isso pode ser muito mais útil do que deixar toda a proteína concentrada em uma única refeição. E não é necessário mudar tudo de uma vez. A alimentação pode ser ajustada progressivamente, conforme a rotina, as preferências, a ingestão habitual e as necessidades individuais. Fibras: mais do que uma estratégia para o intestino Frutas, verduras, legumes, feijão, aveia, sementes e cereais integrais são exemplos de alimentos que podem contribuir para aumentar a ingestão de fibras. Além de seus benefícios para a saúde intestinal e metabólica, as fibras podem contribuir para a saciedade e para uma alimentação de maior densidade nutricional. O exercício não deve ficar para depois A atividade física também deve ser incorporada durante o processo de emagrecimento — e não somente quando a pessoa atingir o peso desejado. O exercício contribui para a saúde cardiovascular, metabólica e funcional e pode auxiliar na manutenção do peso perdido. O treinamento de força merece atenção especial porque ajuda a preservar e desenvolver massa muscular, algo particularmente relevante durante períodos de perda de peso. Por isso, em vez de pensar apenas: “Quanto exercício preciso fazer para gastar calorias?” podemos fazer uma pergunta diferente: “Que tipo de corpo e de rotina quero construir para sustentar minha saúde no longo prazo?” Essa mudança de perspectiva é importante. E o comportamento alimentar? Existe ainda uma parte do tratamento que não aparece na balança. Durante o processo de emagrecimento, é importante entender como a pessoa se relaciona com a comida.  Como ela lida com situações sociais? O que acontece quando está ansiosa, cansada ou estressada? Como são os finais de semana? Ela consegue reconhecer fome e saciedade? Como organiza as refeições quando está fora de casa? Essas questões não desaparecem necessariamente porque um medicamento reduziu o apetite. Por isso, desenvolver estratégias comportamentais ao longo do tratamento também pode ser importante para a manutenção dos resultados.   Não é preciso mudar tudo de uma vez Uma das maiores dificuldades quando falamos em mudança de estilo de vida é imaginar que, para funcionar, ela precisa ser perfeita. Não precisa. A introdução de novos hábitos pode ser gradual. Primeiro, talvez seja organizar melhor o café da manhã. Depois, aumentar a presença de vegetais no almoço e jantar. Em seguida, melhorar a distribuição da proteína. Acrescentar frutas e outras fontes de fibras. Começar ou estruturar o treinamento de força. Ajustar o sono. Encontrar estratégias para os momentos de maior fome ou para as refeições fora de casa. Pequenas mudanças, quando são mantidas, podem se transformar em uma rotina completamente diferente ao longo dos meses.   Consistência costuma ser mais importante do que perfeição. E se o peso começar a voltar? Essa é uma questão que também merece ser discutida sem culpa. Se o peso voltar a subir, o primeiro passo não deveria ser simplesmente reduzir ainda mais a quantidade de comida ou aumentar drasticamente o exercício. É importante entender o contexto. O medicamento foi reduzido ou suspenso? A fome aumentou? A rotina mudou? O sono piorou? O treinamento diminuiu? A alimentação ficou mais desorganizada? Houve alguma mudança emocional, profissional ou

A mais nova fronteira para os GLP-1: Eliminar doenças de pele.

“Durante anos, acreditava-se que as melhorias na pele de pacientes que utilizavam medicamentos GLP-1 eram um subproduto da perda de peso, que reduz a inflamação. Mas os médicos estão percebendo uma realidade muito mais complexa — e novas pesquisas corroboram essas observações. No Centro Médico da Universidade de Pittsburgh (UPMC), em Pittsburgh, Pensilvânia, o dermatologista Joe K. Tung, MD, MBA, observou mudanças drásticas em seus pacientes com psoríase que acabavam de iniciar o tratamento com GLP-1. As placas começaram a “derreter” em dois dias. “Isso é rápido demais para ser um efeito de perda de peso”, disse ele. “O próximo passo para mim foi pensar: será que isso poderia ser plausível do ponto de vista mecânico?” Curioso, ele começou a pesquisar estudos anteriores. Deparou-se com um artigo de 2011 que havia associado pela primeira vez o GLP-1 a uma resposta anti-inflamatória em células imunes (células T) nas lesões de pele de dois pacientes com psoríase e diabetes tipo 2. A própria pesquisa de Tung, publicada no ano passado , mostrou que a terapia com GLP-1 pode reduzir o risco de desenvolvimento de psoríase e hidradenite supurativa (HS; uma doença inflamatória crônica da pele) em pacientes com diabetes tipo 2. Mas, à medida que os pesquisadores analisam mais a fundo, descobrem que isso é apenas a ponta do iceberg. Além da perda de peso: uma ligação direta A psoríase está na vanguarda desse novo território, mostrando uma sobreposição intrigante entre os receptores GLP-1 e as células imunológicas da pele. Ravi Ramessur, MD, PhD, pesquisador de pós-doutorado na Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, liderou recentemente uma análise sobre genética. O estudo mostrou que pessoas geneticamente predispostas a ter receptores de GLP-1 mais ativos apresentavam um risco significativamente menor de desenvolver psoríase e artrite psoriásica — mesmo após considerar os efeitos da gordura corporal. De fato, Ramessur observou diversos pacientes com psoríase que apresentaram melhora significativa na pele apenas com a terapia com GLP-1. Por isso, os pesquisadores estão mudando o foco de suas pesquisas. A questão não é mais se os GLP-1s ajudam a pele simplesmente porque os pacientes perdem peso. “A questão agora é: ‘Com o receptor na pele, o próprio GLP-1 está agindo diretamente na pele em relação à inflamação, independentemente do seu efeito sobre o peso?’”, disse Tung. “Isso é o mais empolgante. É o assunto mais comentado na área.” Repensando o papel da gordura nas doenças de pele Dados recentes corroboram essas observações do mundo real sobre a rápida ou completa eliminação das placas com o uso de GLP-1. No início deste ano, dados mostraram que a combinação de um medicamento padrão para psoríase (o inibidor de IL-17, ixequizumabe ) com o medicamento para perda de peso tirzepatida apresentou resultados superiores ao uso isolado do medicamento para psoríase em adultos com sobrepeso ou obesidade . Os pacientes apresentaram resultados significativamente melhores em relação à pele . Atualmente, existem tantas evidências iniciais que ligam os GLP-1s a doenças inflamatórias da pele que a ciência está preenchendo importantes publicações médicas . Isso representa uma mudança drástica na forma como os médicos enxergam a pele. Até duas décadas atrás, as faculdades de medicina ainda ensinavam que a pele tinha três camadas principais e que o tecido adiposo não tinha relação com doenças de pele. A dermatologia passou os últimos 20 anos refutando essa ideia, aprendendo como a inflamação sistêmica impulsiona as doenças de pele. “Nos últimos dois anos, a obesidade realmente reformulou essa discussão, porque sabemos que a gordura também é um órgão inflamatório ativo, e não apenas um local para armazenar energia”, disse Tung, que também é diretor médico da clínica de dermatologia ambulatorial da UPMC. “Portanto, quando um paciente com psoríase ou hidradenite supurativa ganha peso, você não está apenas adicionando essa comorbidade, mas também alimentando e intensificando esse mesmo processo inflamatório.”  Que outros problemas de pele podem ser tratados com GLP-1? Além da psoríase, as evidências sobre os impactos do GLP-1 em: HS. Os dados iniciais são principalmente observacionais, mas sugerem que os GLP-1 podem ajudar a reduzir nódulos dolorosos e cheios de líquido e a regular as glândulas sebáceas. Além dos benefícios metabólicos, Ramessur observou uma vantagem prática: a HS costuma se manifestar em dobras da pele, como axilas e virilhas. A irritação por atrito nessas áreas pode piorar os sintomas, então a perda de peso ajuda a aliviar fisicamente o desconforto. “Acho muito promissor que isso possa, de fato, beneficiar a gravidade da HS ou até mesmo evitar a própria doença”, disse ele. Dermatite atópica. Um estudo observacional descobriu que pacientes em uso de GLP-1 necessitavam de menos corticosteroides, sugerindo que os medicamentos poderiam tratar gatilhos metabólicos subjacentes, como a inflamação intestinal. No entanto, outros estudos apresentam resultados contraditórios — a análise genética de Ramessur não encontrou essa mesma relação. Cicatrização de feridas. Vários estudos iniciais sugerem que os GLP-1 podem acelerar a cicatrização de feridas. ” A cicatrização de feridas é provavelmente a parte mais subestimada da história dos GLP-1″, disse Tung. “Não se fala tanto sobre isso, mas biologicamente, é um processo bastante simples, pois a cicatrização de feridas não depende da via de perda de peso.” A Próxima Fronteira: Testes Frente a Frente Todos esses dados iniciais fornecem aos pesquisadores bastante material para trabalhar. Mas os capítulos ainda não escritos dessa história pertencem aos ensaios clínicos que testam o GLP-1 isoladamente para a saúde da pele, em vez de em conjunto com outros medicamentos ou estritamente para a perda de peso. A psoríase é claramente a principal candidata para esses futuros estudos. “Ainda existem questões sem resposta em relação a outras condições em que a obesidade é um grande problema, como a hidradenite supurativa, e se há benefícios nesses casos”, disse Ramessur. “Estamos caminhando para ensaios clínicos usando apenas GLP-1 para ajudar a responder a essa questão.” Os especialistas citados neste artigo não possuíam vínculos financeiros relevantes.” Texto retirado na integra do Medscape  Disponível em: https://www.medscape.com/viewarticle/newest-frontier-glp-1s-clearing-skin-disease-2026a1000n7r?ecd=WNL_trdalrt_pos1_ous_260714_etid8504446&uac=290193MV&impID=8504446

Retatrutida: a nova medicação para obesidade que está movimentando as redes sociais. Ela é realmente tão revolucionária?

Se você acompanha qualquer perfil sobre emagrecimento ou saúde, provavelmente já ouviu falar da retatrutida. Mesmo antes de chegar ao mercado, ela já ganhou fama de “a próxima geração” dos medicamentos para obesidade, com resultados que impressionam até especialistas. Mas será que ela é realmente tudo isso? A resposta curta é: os estudos são muito promissores, mas ainda precisamos esperar sua aprovação e conhecer melhor seus resultados na vida real. O que é a retatrutida? A retatrutida é um medicamento injetável de aplicação semanal que ainda está em fase final de desenvolvimento. Ela pertence à família dos medicamentos chamados incretinomiméticos, mas tem uma diferença importante em relação aos já conhecidos semaglutida (Ozempic®/Wegovy®) e tirzepatida (Mounjaro®). Enquanto: a semaglutida atua em um hormônio (GLP-1); a tirzepatida atua em dois (GLP-1 e GIP);   a retatrutida age em três hormônios ao mesmo tempo: GLP-1 GIP glucagon Por isso ela vem sendo chamada de agonista triplo. Na prática, essa combinação parece aumentar a saciedade, reduzir o consumo alimentar e também elevar o gasto energético do organismo. Por que ela está chamando tanta atenção? O principal motivo são os resultados dos estudos clínicos. Em um dos trabalhos apresentados recentemente, pessoas que utilizaram as doses mais altas perderam, em média, cerca de 26% a 28% do peso corporal, números que se aproximam dos resultados obtidos com algumas cirurgias bariátricas. Além da perda de peso, os pesquisadores observaram benefícios importantes como: melhora da glicemia; redução da circunferência abdominal; melhora de diversos marcadores metabólicos; diminuição da gordura no fígado em participantes com esteatose hepática. São resultados realmente animadores para quem trata obesidade. Então ela é melhor que os medicamentos atuais? Ainda é cedo para afirmar isso. Embora os números pareçam maiores do que os observados com medicamentos já disponíveis, comparar estudos diferentes nem sempre é correto. Cada pesquisa envolve pacientes com características próprias, tempo de acompanhamento diferente e metodologias distintas. Os estudos que comparam diretamente retatrutida com outros medicamentos ainda estão em andamento, e eles serão importantes para entendermos onde ela realmente se posiciona entre as opções disponíveis. Ela já está disponível? Ainda não. A retatrutida permanece em fase de desenvolvimento clínico e ainda depende da conclusão dos estudos e da aprovação pelas agências regulatórias antes de chegar ao mercado. Por isso, qualquer promessa de compra ou uso da medicação neste momento deve ser vista com bastante cautela. Existem efeitos colaterais? Até agora, os efeitos adversos observados são semelhantes aos de outros medicamentos dessa classe. Os mais comuns são: náuseas; vômitos; diarreia; constipação; desconforto gastrointestinal. Na maioria dos estudos, esses sintomas ocorreram principalmente durante o aumento gradual das doses e tendem a diminuir com o tempo. O mais importante: não existe medicamento milagroso É compreensível que uma nova medicação desperte entusiasmo, especialmente quando apresenta resultados tão expressivos. Mas vale lembrar que nenhum medicamento substitui o tratamento da obesidade como um todo. O sucesso depende de uma abordagem completa, que inclui alimentação, atividade física, sono, saúde emocional e acompanhamento médico. Além disso, cada pessoa responde de forma diferente ao tratamento, e a escolha da medicação mais adequada deve ser individualizada. Em resumo A retatrutida provavelmente representa um dos maiores avanços recentes no tratamento medicamentoso da obesidade. Os estudos mostram uma perda de peso impressionante e diversos benefícios metabólicos, o que explica toda a repercussão nas redes sociais. Mas ela ainda não está disponível para uso clínico, e ainda precisamos acompanhar os resultados de longo prazo, sua segurança e as comparações diretas com os medicamentos já existentes. Enquanto isso, vale evitar promessas milagrosas e lembrar que, mesmo com medicamentos cada vez mais eficazes, o tratamento da obesidade continua sendo um cuidado individualizado e de longo prazo. #obesidade #retatrutida #emagrecimento #GLP1 #tirzepatida #semaglutida #medicinabaseadaemevidências #saúdemetabólica #perdadepeso nutróloga #vidasaudável #LiaBataglini #nutrologo #nutrologoemPiracicaba #nutrologoPiracicaba #nutrologoLaranjal #equilibrioesaude #consultanutrologica

Orforglipron: a nova “pílula para emagrecer” pode mudar o tratamento da obesidade?

Nos últimos anos, os medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1 revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida mostraram que é possível promover uma perda de peso significativa quando associados a mudanças no estilo de vida. Agora, uma nova opção tem chamado a atenção: o orforglipron, um medicamento em comprimido, aprovado em abril de 2026 pelo FDA para controle de peso, que apresentou resultados bastante promissores em estudos recentes. O que é o orforglipron? O orforglipron é um medicamento que age estimulando o receptor de GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo intestino. Essa classe de medicamentos ajuda a: aumentar a sensação de saciedade; reduzir o apetite; retardar o esvaziamento do estômago; melhorar o controle da glicemia. Na prática, o mecanismo é semelhante ao de outros medicamentos da classe. A principal diferença é que o orforglipron é administrado por via oral, em vez de subcutânea. O que os estudos mostraram? Em um estudo de fase 3 realizado com pessoas com diabetes tipo 2, o medicamento promoveu melhora importante do controle da glicemia e também levou à perda de peso. Os resultados foram comparáveis aos observados com alguns medicamentos injetáveis da mesma classe. Outro ponto interessante é que o orforglipron não é um peptídeo, o que permite que ele seja tomado em comprimido sem as restrições de jejum e ingestão de água exigidas por outros GLP-1 orais atualmente disponíveis. Isso significa que as injeções vão acabar? Ainda não. Os medicamentos injetáveis continuam sendo opções muito eficazes e amplamente utilizadas. O surgimento de um comprimido representa uma nova alternativa, especialmente para pessoas que têm receio de aplicações ou preferem um tratamento oral. Ter mais opções também pode facilitar o acesso ao tratamento no futuro. E os efeitos colaterais? Até o momento, o perfil de efeitos adversos é semelhante ao dos outros agonistas de GLP-1. Os sintomas mais comuns são: náuseas; diarreia; vômitos; constipação. Na maioria dos casos, esses sintomas aparecem principalmente no início do tratamento e tendem a diminuir com o tempo. O medicamento já está disponível? Nos Estados Unidos, o orforglipron já recebeu aprovação para tratamento da obesidade e continua sendo avaliado para diabetes tipo 2. Em outros países, incluindo o Brasil, sua disponibilidade ainda depende da aprovação dos órgãos regulatórios. O que podemos esperar? O desenvolvimento de medicamentos orais para obesidade representa um passo importante. Um comprimido eficaz pode facilitar a adesão ao tratamento e ampliar o acesso para muitas pessoas. Mas vale lembrar: nenhum medicamento substitui hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e acompanhamento médico continuam sendo a base do tratamento da obesidade. A boa notícia é que a ciência continua avançando. Quanto mais opções seguras e eficazes tivermos, maior será a possibilidade de individualizar o tratamento e oferecer a melhor estratégia para cada paciente.   #obesidade #tratamentodaobesidade #controledepeso #canetaemagrecedora #semaglutida #GLP1 #riscocardiovascular #nutrologia #saudemetabólica #nutróloga #vidasaudável #LiaBataglini #nutrologo #nutrologoemPiracicaba #nutrologoPiracicaba #nutrologoLaranjal #equilibrioesaude #consultanutrologica

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