Quando pensamos em uma cirurgia, a maioria das pessoas foca no ato cirúrgico em si — o médico, o hospital, o tipo de procedimento.
Mas existe um fator silencioso, muitas vezes negligenciado, que pode influenciar diretamente na recuperação, no risco de complicações e até no tempo de internação: a nutrição.
Hoje, sabemos que o cuidado nutricional faz parte do tratamento cirúrgico — antes, durante e depois da cirurgia.
O que acontece com o corpo durante uma cirurgia?
Uma cirurgia é interpretada pelo organismo como um “estresse”. Isso desencadeia uma série de respostas metabólicas:
- aumento da inflamação
- maior gasto energético
- perda de massa muscular
- pior controle da glicemia
Se o paciente já entra desnutrido ou mal nutrido, esse impacto é ainda maior.
E é exatamente por isso que as diretrizes mais atuais reforçam: nutrição não é detalhe — é estratégia de tratamento.
Pacientes com desnutrição ou ingestão inadequada têm maior risco de complicações, infecções e recuperação mais lenta
Antes da cirurgia: preparar o corpo faz diferença
Antigamente, era comum o paciente ficar longas horas em jejum antes da cirurgia.
Hoje, isso mudou.
As recomendações mais recentes orientam:
- evitar jejuns prolongados
- permitir líquidos claros até poucas horas antes da cirurgia
- em alguns casos, usar bebidas com carboidratos no pré-operatório
Isso ajuda a reduzir o estresse metabólico e melhora a resposta do organismo ao procedimento
Além disso, pacientes com risco nutricional devem ser avaliados e, se necessário, iniciar suporte nutricional antes da cirurgia.
Depois da cirurgia: comer cedo é melhor
Outro conceito importante que mudou completamente: Não é mais necessário esperar dias para voltar a se alimentar.
Na maioria dos casos, a alimentação deve ser retomada o mais cedo possível.
Por quê?
Porque isso:
- reduz perda de massa muscular
- melhora cicatrização
- diminui complicações
- acelera a recuperação
A alimentação precoce — especialmente pela via oral ou enteral — é considerada a estratégia preferida sempre que possível
E quando o paciente não consegue comer?
Nesses casos, entra a chamada terapia nutricional.
Ela pode ser feita por:
- suplementos orais
- alimentação por sonda (nutrição enteral)
- ou, em situações específicas, nutrição na veia (parenteral)
As diretrizes recomendam iniciar essa terapia rapidamente quando:
- o paciente não consegue se alimentar por vários dias
- ou não atinge o mínimo necessário de ingestão
Isso evita perda de massa muscular e piora clínica
O papel do nutrólogo nesse processo
É aqui que entra um ponto fundamental.
O nutrólogo não atua apenas com dieta — ele avalia o paciente como um todo:
- estado nutricional
- composição corporal
- doenças associadas
- risco cirúrgico metabólico
Com isso, é possível:
✔ preparar o paciente antes da cirurgia
✔ reduzir riscos
✔ ajustar estratégias nutricionais individualizadas
✔ acompanhar a recuperação de forma mais eficiente
Na prática, isso significa melhores desfechos e recuperação mais rápida.
O que isso muda na prática?
Um paciente bem preparado nutricionalmente tende a:
- ter menos complicações
- cicatrizar melhor
- perder menos massa muscular
- ficar menos tempo internado
Ou seja: a nutrição influencia diretamente no sucesso da cirurgia.
Conclusão
A cirurgia não começa no centro cirúrgico — ela começa antes, no preparo do corpo. E continua depois, na forma como o organismo se recupera.
Cuidar da nutrição nesse processo não é opcional. É parte do tratamento.
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