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Apneia do sono e obesidade: emagrecer também pode fazer parte do tratamento?

Quando pensamos em apneia do sono, é comum lembrar de ronco, noites mal dormidas e do uso de CPAP. Mas existe outro ponto importante nessa história: a obesidade é um dos principais fatores de risco modificáveis para a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS).

E, com medicamentos capazes de proporcionar perdas de peso mais expressivas, surgiu uma nova pergunta: tratar a obesidade pode também melhorar a apneia?

A resposta, segundo estudos recentes, é sim — mas com algumas ressalvas importantes.

Por que obesidade e apneia estão tão relacionadas?

O excesso de tecido adiposo pode favorecer o estreitamento das vias aéreas superiores e também prejudicar a mecânica respiratória. Por isso, a perda de peso já faz parte das recomendações para pessoas com sobrepeso ou obesidade e SAOS.

A novidade é que os tratamentos atuais para obesidade conseguem produzir reduções de peso que antes eram difíceis de alcançar apenas com mudanças de estilo de vida.

E isso começou a se refletir também nos estudos sobre apneia.

O que aconteceu com a tirzepatida?

O estudo SURMOUNT-OSA avaliou adultos com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada a grave.

Após 52 semanas, pacientes tratados com tirzepatida apresentaram redução importante do número de episódios de apneia e hipopneia durante o sono, além de perda de peso e melhora de outros parâmetros cardiometabólicos.

Os resultados foram tão relevantes que, em 2024, a FDA aprovou a tirzepatida nos Estados Unidos para o tratamento da SAOS moderada a grave em adultos com obesidade, associada à alimentação com redução calórica e atividade física.

Isso significa que a medicação substitui o CPAP?

Não necessariamente — e esse é um ponto fundamental.

A apneia do sono não depende exclusivamente do peso. Anatomia das vias aéreas, idade e outras características individuais também interferem no problema.

Mesmo depois de uma perda de peso significativa, algumas pessoas continuam apresentando apneia e precisam manter o tratamento específico.

Portanto, quem utiliza CPAP não deve suspendê-lo simplesmente porque perdeu peso ou iniciou uma medicação para obesidade. É necessária uma nova avaliação para verificar como ficou a doença.

O que esses estudos realmente nos ensinam?

Talvez a principal mensagem não seja que surgiu uma “caneta para tratar apneia”.

É algo maior: tratar a obesidade adequadamente pode melhorar doenças que estão diretamente relacionadas a ela.

Em uma pessoa com obesidade e apneia do sono, portanto, podemos precisar olhar para os dois lados do problema: tratar a obstrução respiratória e, ao mesmo tempo, tratar a obesidade que contribui para sua manutenção.

E esse é mais um motivo para entendermos o tratamento da obesidade como algo que vai muito além da estética ou do número mostrado na balança.

Perder peso pode ser apenas uma das consequências. Melhorar a saúde é o verdadeiro objetivo.

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