CRM-SP 207304 • RQE 101292 • 125156

RQE: 101292

Retatrutida: os novos dados mostram que o impacto vai muito além da perda de peso

A retatrutida já vinha chamando atenção pelos resultados expressivos de perda de peso. Agora, os primeiros dados de fase 3 publicados no New England Journal of Medicine ajudam a entender melhor o que essa nova medicação pode representar no tratamento da obesidade.

E talvez o dado mais interessante não esteja apenas na balança.

O que é a retatrutida?

A retatrutida é uma medicação injetável semanal ainda em investigação que atua simultaneamente em três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon.

Essa combinação a diferencia das medicações que já utilizamos atualmente e vem sendo estudada tanto para perda de peso quanto para diferentes complicações associadas à obesidade.

O que mostrou o novo estudo?

O estudo TRIUMPH-1 acompanhou 2.339 adultos com obesidade, sem diabetes, durante 80 semanas.

Na análise principal do estudo, a redução média do peso corporal foi de:

  • 17,6% com 4 mg;
  • 23,7% com 9 mg;
  • 25% com 12 mg;

comparada a 3,9% com placebo.

São resultados expressivos. Mas olhar apenas para o peso seria contar apenas parte da história.

Pressão, colesterol e triglicérides também melhoraram

O tratamento também esteve associado à melhora de diversos fatores de risco cardiometabólico.

Foram observadas reduções nos triglicérides, no colesterol não-HDL e na pressão arterial sistólica, além de redução importante da circunferência abdominal.

Isso é particularmente relevante porque obesidade não é simplesmente excesso de peso.

Ela está associada a maior risco de hipertensão, alterações do colesterol, diabetes, doença cardiovascular e diversas outras condições. Portanto, um tratamento efetivo precisa ser avaliado também pelo seu impacto sobre a saúde — e não apenas pelos quilos perdidos.

Os benefícios foram além do metabolismo

O estudo avaliou ainda grupos de participantes com osteoartrite de joelho e apneia obstrutiva do sono.

Também nesses pacientes foram observadas melhoras importantes, com redução da dor relacionada à osteoartrite e da gravidade da apneia.

Isso reforça um conceito que considero fundamental no tratamento da obesidade: perder peso não é o objetivo final.

O objetivo é melhorar saúde, mobilidade, sono, capacidade funcional, qualidade de vida e reduzir o risco de doenças relacionadas à obesidade.

E os efeitos colaterais?

Como acontece com outras terapias baseadas em incretinas, os efeitos adversos mais frequentes foram gastrointestinais, principalmente náusea, diarreia, constipação e vômitos, e ocorreram com maior frequência nas doses mais altas.

Por isso, resultados expressivos de eficácia nunca devem fazer com que a segurança e a individualização do tratamento sejam colocadas em segundo plano.

A retatrutida já pode ser utilizada?

Não. A retatrutida permanece em investigação clínica e ainda não é uma medicação aprovada para uso no tratamento da obesidade.

Os resultados são muito promissores, mas ainda precisamos acompanhar novos estudos e, principalmente, dados de segurança e desfechos em longo prazo.

O TRIUMPH-1, porém, reforça uma mudança que já está acontecendo na medicina: estamos deixando de avaliar o sucesso do tratamento da obesidade apenas pelo número da balança.

Tratar obesidade é tratar saúde.

E os próximos anos provavelmente vão ampliar ainda mais as possibilidades que temos para fazer isso.

Referência: Jastreboff AM et al. Retatrutide, a Triple Hormone Receptor Agonist, for Treatment of Obesity. N Engl J Med. 2026. DOI: 10.1056/NEJMoa2604169.

#retatrutida #glp1 #glucagon #gip #glp1reganhodepeso #emagrecimento #qualidadedevida #apneiadosono #tratamentodaobesidade #comomanteropesodepoisdeemagrecer #alimentaçaoparamanutençaodopesoperdido #LiaBataglini #nutrologo #nutrologoemPiracicaba #nutrologoPiracicaba #nutrologoLaranjal #equilibrioesaude #consultanutrologica

Posts Relacionados

Abrir WhatsApp
Olá!
Como posso te ajudar?