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RQE: 101292

Vai operar? O que você come antes e depois da cirurgia pode mudar sua recuperação

Quando pensamos em uma cirurgia, a maioria das pessoas foca no ato cirúrgico em si — o médico, o hospital, o tipo de procedimento.

Mas existe um fator silencioso, muitas vezes negligenciado, que pode influenciar diretamente na recuperação, no risco de complicações e até no tempo de internação: a nutrição.

Hoje, sabemos que o cuidado nutricional faz parte do tratamento cirúrgico — antes, durante e depois da cirurgia.

O que acontece com o corpo durante uma cirurgia?

Uma cirurgia é interpretada pelo organismo como um “estresse”. Isso desencadeia uma série de respostas metabólicas:

  • aumento da inflamação
  • maior gasto energético
  • perda de massa muscular
  • pior controle da glicemia

Se o paciente já entra desnutrido ou mal nutrido, esse impacto é ainda maior.

E é exatamente por isso que as diretrizes mais atuais reforçam: nutrição não é detalhe — é estratégia de tratamento.

Pacientes com desnutrição ou ingestão inadequada têm maior risco de complicações, infecções e recuperação mais lenta

Antes da cirurgia: preparar o corpo faz diferença

Antigamente, era comum o paciente ficar longas horas em jejum antes da cirurgia.

Hoje, isso mudou.

As recomendações mais recentes orientam:

  • evitar jejuns prolongados
  • permitir líquidos claros até poucas horas antes da cirurgia
  • em alguns casos, usar bebidas com carboidratos no pré-operatório

Isso ajuda a reduzir o estresse metabólico e melhora a resposta do organismo ao procedimento

Além disso, pacientes com risco nutricional devem ser avaliados e, se necessário, iniciar suporte nutricional antes da cirurgia.

Depois da cirurgia: comer cedo é melhor

Outro conceito importante que mudou completamente: Não é mais necessário esperar dias para voltar a se alimentar.

Na maioria dos casos, a alimentação deve ser retomada o mais cedo possível.

Por quê?

Porque isso:

  • reduz perda de massa muscular
  • melhora cicatrização
  • diminui complicações
  • acelera a recuperação

A alimentação precoce — especialmente pela via oral ou enteral — é considerada a estratégia preferida sempre que possível

E quando o paciente não consegue comer?

Nesses casos, entra a chamada terapia nutricional.

Ela pode ser feita por:

  • suplementos orais
  • alimentação por sonda (nutrição enteral)
  • ou, em situações específicas, nutrição na veia (parenteral)

As diretrizes recomendam iniciar essa terapia rapidamente quando:

  • o paciente não consegue se alimentar por vários dias
  • ou não atinge o mínimo necessário de ingestão

Isso evita perda de massa muscular e piora clínica

O papel do nutrólogo nesse processo

É aqui que entra um ponto fundamental.

O nutrólogo não atua apenas com dieta — ele avalia o paciente como um todo:

  • estado nutricional
  • composição corporal
  • doenças associadas
  • risco cirúrgico metabólico

Com isso, é possível:

✔ preparar o paciente antes da cirurgia
✔ reduzir riscos
✔ ajustar estratégias nutricionais individualizadas
✔ acompanhar a recuperação de forma mais eficiente

Na prática, isso significa melhores desfechos e recuperação mais rápida.

O que isso muda na prática?

Um paciente bem preparado nutricionalmente tende a:

  • ter menos complicações
  • cicatrizar melhor
  • perder menos massa muscular
  • ficar menos tempo internado

Ou seja: a nutrição influencia diretamente no sucesso da cirurgia.

Conclusão

A cirurgia não começa no centro cirúrgico — ela começa antes, no preparo do corpo. E continua depois, na forma como o organismo se recupera. 

Cuidar da nutrição nesse processo não é opcional. É parte do tratamento.

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