CRM-SP 207304 • RQE 101292 • 125156

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Perdeu peso com GLP-1? Como evitar o reganho de peso e manter os resultados

Os medicamentos para tratamento da obesidade, como a semaglutida e a tirzepatida, mudaram a forma como muitas pessoas conseguem tratar o excesso de peso. Ao reduzir o apetite e aumentar a saciedade, esses medicamentos podem facilitar a adesão a um plano alimentar e favorecer uma perda de peso significativa. Mas existe uma pergunta importante que nem sempre é feita no começo do tratamento: “E depois que eu perder peso, como vou conseguir manter?” Na verdade, essa pergunta deveria aparecer antes mesmo de o peso desejado ser alcançado. Isso porque a manutenção do peso não começa quando o emagrecimento termina. Ela começa durante o próprio processo de emagrecimento.   O que acontece quando o tratamento com GLP-1 é interrompido? O reganho de peso após a suspensão de medicamentos para obesidade é uma possibilidade conhecida e vem sendo estudado em diferentes pesquisas. Isso acontece porque a obesidade é uma condição crônica e não depende apenas de força de vontade. Fatores biológicos, hormonais, comportamentais, ambientais e sociais participam da regulação do peso corporal. Quando um medicamento que ajudava a controlar o apetite é retirado, algumas dessas características podem voltar a se manifestar. Por isso, o reganho de peso não deve ser interpretado automaticamente como uma falha do paciente. Além disso, nem todo mundo precisa ou deve suspender o medicamento. A duração do tratamento é individualizada e depende da resposta, dos benefícios, dos efeitos adversos, das características clínicas e dos objetivos de cada pessoa.   O ponto principal é outro: o tratamento da obesidade não deveria depender exclusivamente da medicação. O medicamento é uma ferramenta — não precisa carregar o tratamento inteiro Quando um paciente começa a utilizar um medicamento para emagrecimento, pode existir uma oportunidade importante. Com menos fome e maior saciedade, algumas mudanças que antes pareciam muito difíceis podem se tornar mais possíveis. É nesse momento que alimentação, exercício e comportamento alimentar precisam entrar de maneira estruturada. Não porque a pessoa precise “provar” que consegue emagrecer sem medicamento. Mas porque o objetivo do tratamento não é apenas fazer a balança baixar. É também melhorar a saúde e construir uma rotina que possa ser sustentada ao longo do tempo.   As recomendações atuais para tratamento da obesidade consideram as mudanças de estilo de vida — incluindo alimentação e atividade física — como componentes importantes do tratamento, inclusive quando a farmacoterapia é utilizada. A manutenção do peso começa durante o emagrecimento Um erro bastante comum é pensar: > primeiro eu emagreço; depois eu aprendo a manter. Na prática, é mais interessante fazer as duas coisas ao mesmo tempo.   Durante o processo de perda de peso, algumas estratégias podem ser introduzidas de maneira gradual e contínua. A proteína precisa fazer parte da estratégia Durante o emagrecimento, não queremos apenas perder peso. Queremos, sempre que possível, preservar massa muscular. Por isso, a ingestão adequada de proteína é importante, especialmente quando associada ao treinamento de força. Uma estratégia simples é observar a distribuição da proteína ao longo do dia, incluindo fontes proteicas nas principais refeições e, quando necessário, nos lanches. Isso pode ser muito mais útil do que deixar toda a proteína concentrada em uma única refeição. E não é necessário mudar tudo de uma vez. A alimentação pode ser ajustada progressivamente, conforme a rotina, as preferências, a ingestão habitual e as necessidades individuais. Fibras: mais do que uma estratégia para o intestino Frutas, verduras, legumes, feijão, aveia, sementes e cereais integrais são exemplos de alimentos que podem contribuir para aumentar a ingestão de fibras. Além de seus benefícios para a saúde intestinal e metabólica, as fibras podem contribuir para a saciedade e para uma alimentação de maior densidade nutricional. O exercício não deve ficar para depois A atividade física também deve ser incorporada durante o processo de emagrecimento — e não somente quando a pessoa atingir o peso desejado. O exercício contribui para a saúde cardiovascular, metabólica e funcional e pode auxiliar na manutenção do peso perdido. O treinamento de força merece atenção especial porque ajuda a preservar e desenvolver massa muscular, algo particularmente relevante durante períodos de perda de peso. Por isso, em vez de pensar apenas: “Quanto exercício preciso fazer para gastar calorias?” podemos fazer uma pergunta diferente: “Que tipo de corpo e de rotina quero construir para sustentar minha saúde no longo prazo?” Essa mudança de perspectiva é importante. E o comportamento alimentar? Existe ainda uma parte do tratamento que não aparece na balança. Durante o processo de emagrecimento, é importante entender como a pessoa se relaciona com a comida.  Como ela lida com situações sociais? O que acontece quando está ansiosa, cansada ou estressada? Como são os finais de semana? Ela consegue reconhecer fome e saciedade? Como organiza as refeições quando está fora de casa? Essas questões não desaparecem necessariamente porque um medicamento reduziu o apetite. Por isso, desenvolver estratégias comportamentais ao longo do tratamento também pode ser importante para a manutenção dos resultados.   Não é preciso mudar tudo de uma vez Uma das maiores dificuldades quando falamos em mudança de estilo de vida é imaginar que, para funcionar, ela precisa ser perfeita. Não precisa. A introdução de novos hábitos pode ser gradual. Primeiro, talvez seja organizar melhor o café da manhã. Depois, aumentar a presença de vegetais no almoço e jantar. Em seguida, melhorar a distribuição da proteína. Acrescentar frutas e outras fontes de fibras. Começar ou estruturar o treinamento de força. Ajustar o sono. Encontrar estratégias para os momentos de maior fome ou para as refeições fora de casa. Pequenas mudanças, quando são mantidas, podem se transformar em uma rotina completamente diferente ao longo dos meses.   Consistência costuma ser mais importante do que perfeição. E se o peso começar a voltar? Essa é uma questão que também merece ser discutida sem culpa. Se o peso voltar a subir, o primeiro passo não deveria ser simplesmente reduzir ainda mais a quantidade de comida ou aumentar drasticamente o exercício. É importante entender o contexto. O medicamento foi reduzido ou suspenso? A fome aumentou? A rotina mudou? O sono piorou? O treinamento diminuiu? A alimentação ficou mais desorganizada? Houve alguma mudança emocional, profissional ou

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