CRM-SP 207304 • RQE 101292 • 125156

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Colesterol alto: quando é preciso tratar e qual o valor ideal para cada pessoa?

Muitas pessoas recebem o resultado dos exames, veem o colesterol elevado e logo se perguntam: “Vou precisar tomar remédio?” A resposta nem sempre é simples. Hoje sabemos que o tratamento do colesterol não depende apenas do valor do LDL (“colesterol ruim”), mas principalmente do risco cardiovascular de cada indivíduo. Em outras palavras, duas pessoas com exatamente o mesmo LDL podem receber orientações completamente diferentes. O que é risco cardiovascular? Risco cardiovascular é a probabilidade de uma pessoa desenvolver eventos como infarto, AVC ou outras doenças cardiovasculares ao longo dos próximos anos. Para estimar esse risco, consideramos diversos fatores, como: Idade Sexo Pressão arterial Diabetes Tabagismo Colesterol Histórico familiar Presença de outras doenças A partir dessa avaliação, o paciente é classificado em categorias de risco, como baixo, intermediário, alto ou muito alto risco cardiovascular. Por que isso é importante? Porque o objetivo do tratamento não é simplesmente “baixar o colesterol”. O objetivo é reduzir a chance de eventos cardiovasculares futuros. Por isso, quanto maior o risco cardiovascular, menor deve ser o valor de LDL que buscamos atingir. De forma simplificada: Pessoas de baixo risco podem tolerar níveis mais elevados de LDL. Pessoas de alto risco precisam de metas mais rigorosas. Pacientes de muito alto risco frequentemente necessitam de reduções intensas do LDL para minimizar o risco de novos eventos. O que influencia o risco cardiovascular? Além dos fatores clássicos, existem condições que podem aumentar o risco cardiovascular e que nem sempre recebem a devida atenção. Entre elas estão: Histórico familiar Ter parentes de primeiro grau que tiveram infarto, AVC ou outras doenças cardiovasculares precocemente aumenta o risco cardiovascular. Considera-se doença cardiovascular prematura quando ocorre: Antes dos 55 anos nos homens Antes dos 60 anos nas mulheres Excesso de peso e sedentarismo A obesidade e a inatividade física estão associadas a alterações metabólicas que favorecem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A prática regular de exercícios melhora diversos parâmetros de saúde, incluindo colesterol, pressão arterial, resistência à insulina e composição corporal. Estresse e fatores psicossociais Estresse crônico, privação social e dificuldades emocionais podem influenciar negativamente a saúde cardiovascular. A saúde do coração não depende apenas da alimentação ou dos exames laboratoriais, mas também do contexto de vida da pessoa. Distúrbios inflamatórios e doenças crônicas Algumas doenças inflamatórias ou imunomediadas mantêm o organismo em um estado de inflamação persistente, favorecendo a formação de placas de aterosclerose. Condições específicas da saúde feminina Alguns eventos da vida reprodutiva da mulher também fornecem informações importantes sobre risco cardiovascular futuro, como: Menopausa precoce Pré-eclâmpsia Hipertensão gestacional Essas situações podem indicar maior predisposição ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares ao longo da vida. Apneia do sono A síndrome da apneia obstrutiva do sono está associada ao aumento do risco cardiovascular, hipertensão arterial e alterações metabólicas. Muitas vezes o paciente desconhece o diagnóstico e apresenta apenas sintomas como ronco intenso, sono não reparador e sonolência diurna. Alguns exames também ajudam a refinar o risco Além do colesterol tradicional, alguns biomarcadores podem fornecer informações adicionais. -Lipoproteína(a) – Lp(a) A Lp(a) é uma partícula determinada principalmente pela genética. Valores elevados estão associados a maior risco cardiovascular e podem ajudar a explicar casos de doença cardiovascular em pessoas aparentemente saudáveis. -PCR ultrassensível A proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us) é um marcador de inflamação. Quando persistentemente elevada, pode indicar um estado inflamatório associado a maior risco cardiovascular. O que pode ser feito para melhorar o colesterol? Independentemente da necessidade ou não de medicamentos, algumas medidas são fundamentais: – Praticar atividade física regularmente – Manter peso corporal adequado – Priorizar uma alimentação rica em vegetais, frutas, leguminosas e alimentos minimamente processados – Reduzir o consumo de ultraprocessados – Não fumar – Controlar pressão arterial e diabetes quando presentes – Ter sono de qualidade Nem todo colesterol alto é tratado da mesma forma O tratamento do colesterol é cada vez mais individualizado. Mais importante do que olhar apenas para um número isolado no exame é entender o contexto completo do paciente, seus fatores de risco e seu risco cardiovascular global. É essa avaliação que permite definir se apenas mudanças no estilo de vida serão suficientes ou se existe necessidade de medicações para reduzir o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares no futuro. Colesterol alto sempre precisa de remédio? Não. Em alguns casos, mudanças no estilo de vida podem ser suficientes para atingir as metas de LDL. Em outros, especialmente quando o risco cardiovascular é elevado, medicamentos podem ser necessários para reduzir o risco de eventos cardiovasculares.   O que é Lp(a) e quando devo dosar? A lipoproteína(a), ou Lp(a), é um fator de risco cardiovascular determinado principalmente pela genética. A dosagem pode ser especialmente útil em pessoas com histórico familiar de doença cardiovascular precoce ou quando o risco cardiovascular parece maior do que o esperado. O ovo aumenta o colesterol? Para a maioria das pessoas, o consumo moderado de ovos tem pouco impacto sobre os níveis de colesterol sanguíneo. Atualmente, sabe-se que gorduras saturadas e ultraprocessados costumam ter maior influência sobre o LDL do que o colesterol presente nos alimentos. HDL alto protege contra infarto? O HDL está associado a menor risco cardiovascular, mas valores elevados não anulam os efeitos de outros fatores de risco. Ter HDL alto não significa que a pessoa está protegida contra infarto ou AVC. LDL de 115 mg/dL é alto? Depende. O mesmo valor pode ser considerado adequado para uma pessoa de baixo risco cardiovascular e inadequado para alguém que já teve infarto, AVC ou possui diabetes. Por isso, o resultado deve sempre ser interpretado dentro do contexto clínico. #colesterol #riscocardiovascular #estatinas #envelhecimento #envelhecercomsaude #colesterolalto #nutrologia #saudemetabólica #nutróloga #vidasaudável #LiaBataglini #nutrologo #nutrologoemPiracicaba #nutrologoPiracicaba #nutrologoLaranjal #equilibrioesaude #consultanutrologica

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